MENSAGENS DA BISPA

O uso correto do dinheiro

O uso correto do dinheiro

Esta lição é baseada num sermão de João Wesley com este mesmo título. Ele revela sua preocupação quanto à forma como os metodistas administravam seu dinheiro e procura ensinar que o recurso financeiro é um talento a ser usado para propagar o amor de Jesus às pessoas. Antes, porém, de estudar o sermão propriamente dito, olharemos um pouco o texto bíblico básico, identificando os ensinos de Cristo sobre esse assunto, que algumas vezes tem sido polêmico na vida de pessoas, famílias e Igrejas.

O que nos diz a Bíblia

Jesus conta uma parábola sobre um administrador que, sendo pego em “corrupção” e “desvio de bens” de seu patrão, preocupou-se quanto ao seu futuro, com o receio de não obter seu sustento. Esse receio o faz agir de modo a angariar amizades e contatos que lhe possam ser úteis quando for demitido. Ele “dá um desconto” aos devedores de seu patrão, fazendo com que esses fiquem inclinados a também ajudá-lo quando isso se fizer necessário. Jesus diz que o patrão reconhece a ação “ardilosa” do seu administrador e fica admirado com sua capacidade de reverter a situação a seu favor.

Longe de defender essa postura, Jesus quer dizer que os filhos deste mundo, em seu próprio terreno, são mais coerentes consigo mesmos; são mais fiéis aos princípios que abraçam; com mais firmeza e determinação realizam os seus fins “do que os filhos da luz” – do que os que veem “a luz da glória de Deus na face de Jesus Cristo”.

Por isso Jesus, nesta parábola, nos orienta a aprender com o despenseiro infiel, quanto à utilização das riquezas. A riqueza é chamada de “mamon da iniquidade” em razão da maneira pela qual frequentemente é adquirida ou mesmo pelo modo como muitas vezes é empregada, mesmo aquela adquirida com honestidade. Ao final, Jesus insiste na fidelidade em todas as coisas que vêm às nossas mãos, pois a verdadeira riqueza e os bens mais valiosos só são entregues a quem demonstrou real “competência” para lidar com os bens passageiros ou de pertença alheia (v. 11-12).

Dinheiro: raiz de todos os males?

Diversos ditados populares refletem a interpretação equivocada que se tem a respeito do dinheiro. Sua classe é capaz de citar alguns? Um deles diz que “o dinheiro é a raiz de todos os males”. Essa visão dificulta até mesmo uma reflexão a respeito do uso correto do dinheiro em nossas igrejas. O mal não está no dinheiro, mas nas pessoas que fazem uso dele e no sentimento que desenvolvem em relação a ele. O dinheiro pode ser usado para o mal tanto como para o bem.

O bom uso do dinheiro

Por entender que o dinheiro é uma dádiva de Deus, João Wesley apresenta três regras para a sua administração:

  1. “Ganhai o mais que puderes”, sem causar dano à tua vida, saúde, à alma ou espírito, nem ao teu próximo. Essa orientação diz respeito a formas de ganhar dinheiro que impliquem dano ao nosso corpo, negócios fraudulentos ou que causem prejuízos de qualquer ordem à outra pessoa. João Wesley diz: “Ganhei o mais que possa com honestidade, atividade e bom-senso: pela boa aplicação do vosso negócio a partir do entendimento, da inteligência que Deus vos deu”.
  2. “Economizai o mais que puderdes”, evitando os exageros (glutonarias, bebedices, vestuários luxuosos ou supérfluos, ornamentos desnecessários, diversões que estimulem o pecado. É preciso evitar o risco de querer ganhar a admiração das pessoas a partir da exibição de bens ou valores, buscando, ao contrário, a aprovação de Deus. Wesley acrescenta: “Não dês e nem deixes dinheiro/fortuna para teus filhos se não tiverdes a certeza de que eles saberão administrá-lo na promoção da vida e não para a sua própria perdição”.
  3. “Dai o mais que puderdes”. Isso significa, para Wesley, prover o necessário a si mesmo e à sua família, bem com às pessoas que dependem de você, como empregados, por exemplo. A fidelidade na contribuição para a causa de Deus também aparece aqui. Wesley diz que devemos nos lembrar de que tudo pertence a Deus. Portanto, devemos exercer a generosidade e o desapego ao ofertar, indo além dos 10% devidos ao dízimo.

Reflexões

  1. De que maneira lidamos com os nossos recursos financeiros? Estamos tranquilos ou ficamos excessivamente angustiados quando vemos nossas contas a pagar?
  2. Como decidimos se vamos comprar algo? De modo impulsivo ou com consciência de quando e como pagar?
  3. Quando ofertamos, o fazemos com prazer ou por obrigação?

Para terminar

Wesley traz uma séria advertência, que nos parece tão atual quanto foi em seus dias: “Neste tempo que é chamado hoje, ouvi e obedecei à voz de Cristo. Procedei segundo a dignidade da vossa vocação! Nada de preguiça! Seja o que for que vossas mãos achem por prazer, executai da melhor maneira! Não gasteis mais do que o necessário! Suprimi todo gasto com as exigências da moda! Não cobiceis! Mas empregai o que Deus vos confiou em fazer o bem, todo bem possível, de toda espécie e em toda medida possível, à família da fé, a todas as pessoas. Esta é uma parte e não das menores da “sabedoria do justo”. Dai o que tiverdes, assim como tudo que sois, em sacrifício espiritual. Aquele que não vos recusou seu Filho, seu único Filho, assim diz: armazenai para vós mesmos um bom fundamento para o tempo vindouro, de modo que alcanceis a vida eterna”.

Oração

Ajuda-me, Senhor, a fazer do meu dinheiro instrumento e não senhor da minha vida. Que eu não me deixe dominar, seja quando tiver muito, seja quando tiver pouco. Que eu confie no Senhor para dar-me o que me for necessário a cada dia da minha vida. Amém!

 

 

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