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Dízimo: um compromisso de fé

Dízimo: um compromisso de fé

Muitas vezes, as igrejas conhecidas como evangélicas tem sido alvo de críticas e de visões distorcidas devido a práticas equivocadas no recolhimento de ofertas, dízimos e também de sua visão acerta do dinheiro. Falar sobre dízimo, nesse contexto, tornou-se difícil.

É verdade que, devido a práticas equivocadas, a fé tornou-se um objeto de consumo. É claro que não temos mais, como no templo de Martinho Lutero, a venda de indulgências (que eram cartas que a pessoa devia apresentar à entrada do céu, sinalizando o perdão de Deus, quando morresse!). Mas, aparentemente, houve uma troca de produto. Agora se vende sucesso em todos os níveis: financeiro, familiar, espiritual, físico, entre outros.

A chamada “prova de Deus” consiste em entregar ofertas generosas, esperanço receber dEle o dobro em bênçãos, inclusive financeiras. Para rever o sentido do dízimo e sua importância na vida cristã, vamos estudar aqui alguns aspectos abordados na Carta Pastoral do Dízimo, publicada pelo Colégio Episcopal juntamente com a visão bíblica do tema a partir do texto básico de hoje: Malaquias 3:6-12.

O que nos diz a Bíblia

O povo de Israel viveu durante muitos anos no exílio babilônico. Nesse processo, as novas gerações se desarraigaram de seus costumes, perderam suas tradições e sofreram influências estrangeiras. Essas são as pessoas que retornaram do exilio em 538 a.C. Em 515 a.C., o templo foi reconstruído, mas a prática do dízimo havia sido abandonada. Neste tempo, surge Malaquias.

O profeta proclama que Deus não mudou. Ele permaneceu fiel à aliança feita com o povo. Porém, percebendo as dúvidas do povo (até mesmo sua ‘inexperiência’ com ele, pelo rompimento histórico causado pelo exílio), Deus pede ao povo que seja fiel a fim de que experimente quem Ele é. É essa a dimensão do “Fazei prova de mim”. Deus deseja renovar-lhes a fé uma vez obscurecida pelo distanciamento e pelas influências religiosas pagãs. Não há nada de barganha ou troca nisso. É um pedido por relacionamento!

Dízimo: um compromisso de fé

Ao fazer os votos como membros da Igreja, assumimos a responsabilidade de participar com nossas contribuições e ofertas regulares. O texto do ritual de recepção diz: “Estais conscientes de que a vossa fidelidade a Jesus Cristo implica compartilhar a fé, a esperança e o amor, e de que, ao integrarem-se à vida da Igreja, vos comprometeis a colaborar para o seu sustento com vossas orações, participação e contribuições pessoais?”

Assim, como Jacó assumiu em Betel (Gn 28.22) o compromisso de dar o dízimo de tudo o que lhe fosse concedido, nós também, em nossa pública profissão de fé, diante de Deus e de nossa igreja, assumimos o compromisso de sustentar nossa comunidade com oração, participação e o dízimo.

Dízimo: gratidão, compromisso, amor

Entregar o dízimo significa assumir o compromisso com a missão de Deus e empenhar-se na realização de seu Reino. É ser participante da promessa de Cristo, quando nos ensina que, na medida em que nos dispusermos a doar, também estaremos aptos a receber: “Boa medida, recalcada, sacudida, transbordante vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também” (Lc 6:38). Você não precisa entregar o dízimo somente porque Deus pede. Você o faz porque esse gesto é um jeito de dizer-lhe que o ama.

Para terminar

                Precisamos nos lembrar da palavra mencionada em I Crônicas 29:14: “tudo o que temos vem de Deus”. Sendo assim, quando ofertamos, nossa atitude, ao entregar o dízimo e ao ofertar, não deve estar vinculada à retribuição de Deus, mas ao reconhecimento da sua graça, concedida diariamente.

Oração

Senhor, ajuda-nos a exercitar nossa fidelidade. Converte nosso coração a ti quando gastamos tanto tempo e recursos financeiros “naquilo que não é pão” e não somos fiéis ao chamado que recebemos para ser “colaboradores com Deus”. Em nome de Jesus, amém.

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