MENSAGENS DA BISPA

“Quem sabe se não foste elevada a rainha para tal tempo como este?” (Ester 4.14)

“Quem sabe se não foste elevada a rainha para tal tempo como este?” (Ester 4.14)

A história de Ester parece uma daquelas típicas narrativas de princesa de contos de fadas. A menina órfã de pai e mãe, criada pelo tio na simplicidade e pobreza, de repente é escolhida entre muitas para ser rainha. Morar no palácio, viver do bom e do melhor, ao lado do charmoso rei… mas não é bem assim. O rei é perverso, as condições de vida não são boas, o povo é oprimido.

Mas Ester também não é a típica princesa. Observo com sobriedade que Mordecai, o tio, não a deixa recair nos estereótipos esperados. Ele a empodera com palavras, atitudes e cobranças bastante sérias. E a coloca diante da pergunta fundamental: “Quem sabe?”

Nós, mulheres metodistas, também recebemos um chamado de Deus, como Ester. Podemos nos esconder atrás das ideias prontas ou podemos perguntar: “Quem sabe?” e descobrir nosso lugar de servir no Reino de Deus. Servir a todas as pessoas, mas de modo especial servir às outras mulheres. Desenvolver relações afetuosas e de apoio. Romper os ciclos de culpabilização e violência. Romper com o esperado e irromper com a vida plena do Reino de Deus.

Muitas mulheres cristãs são vítimas da violência dentro de casa. De relações injustas no trabalho. De maus tratos e abusos verbais por parte de patrões. De questões culturais enraizadas. Não caia no discurso fácil: “Ela mereceu”. “Ela deve ter feito alguma coisa”. “Isso é vitimismo”. Cuidado com esses termos que escravizam a mulher e reforçam preconceitos. Ao invés disso, seja a discípula de Jesus que diz: “Ninguém te condenou? Nem eu te condeno. Vá e não peques mais” (João 8.10). Seja imitadora de Jesus, cujo ministério era sustentado por mulheres (Lc 8.1-3). Sustente outras mulheres, de todo jeito que puder. Ame sua irmã, sua semelhante, sua igual.

Você, homem, seja como Mordecai. Não limite, mas impulsione. Não se prenda aos estereótipos, mas liberte. “Quem sabe?” você tenha uma Ester em sua vida: uma mãe, uma irmã, uma filha, uma esposa, uma amiga… Ou uma Maria, uma Joana, uma Madalena, uma Pérside, uma Vasti, uma Ana… Seja lá o nome que ela tiver, “é para um tempo como esse” que Deus a chamou. E sendo ela rainha ou plebeia, em qualquer condição social ou econômica, é na cooperação entre homens e mulheres comprometidos com Deus e os valores do Seu Reino, que não é deste mundo, gente como Mordecai e Ester, que este tempo e lugar podem se tornar, pouco a pouco, “o novo céu e a nova terra nos quais habita a justiça” (2Pe 3.13).

08 de março: dia de luta, reflexão e ação. Dia Internacional da Mulher.

Bispa Hideide Brito Torres

Oitava Região Eclesiástica