MENSAGENS DA BISPA

Uma igreja santa

Uma igreja santa

“Cristo amou a sua Igreja e sacrificou-se por ela, a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água por meio da Palavra, e para apresentá-la a si mesmo como Igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou qualquer outra imperfeição, mas santa e inculpável. (Efésios 5.25-27)

A ideia inicial do movimento wesleyano era “reformar a nação, particularmente a igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. João Wesley era muito rígido em sua compreensão de santidade. Quando escreve o sermão “Os quase cristãos”, ele apresenta um perfil que seria, em tese, o sonho de todo pastor e pastora numa igreja local. Pessoas engajadas, comprometidas, cuja prática era inquestionável. Mesmo assim, ele as considerava quase cristãs. Por quê? Porque tinham a aparência da piedade, mas não o poder dela. Faziam tudo certo, mas pelo motivo errado. Faltava-lhes a motivação do amor de Deus como ponto de partida.

Hoje, vivemos um duplo desafio. Pode certamente haver muitos cristãos e cristãs a quem falte o poder da virtude, cujo comportamento externo, contudo, siga irrepreensível. Mas cresce o número daqueles que vivem uma dupla personalidade. O comportamento no recinto sagrado é um e na vida cotidiana é outro completamente distinto. Ou, ainda, pessoas para os quais não faz nenhum sentido falar em santidade. A fé e a prática cristãs não produzem impacto sobre a totalidade da vida ou da sociedade.

Mas Efésios nos desafia a não estar em nenhum desses extremos. Isso começa com uma compreensão da origem da santidade que deve haver em nós. Ela não é resultado de nossas meras práticas ou desejos, mas do amor de Cristo por nós. Nenhum pecador ou pecadora realmente compreende a dimensão do seu próprio pecado ou limites sem uma clareza muito grande do amor de Jesus. O amor de Deus “constrange”. Ele o faz porque nos obriga a olhar profundamente para nós mesmos e reconhecer o total imerecimento deste amor. Exige uma resposta igualmente incondicional. E então pode acontecer o processo de santificação, pois, em constrangimento do amor, não se pode colocar condições ou impedimentos ao mover de Deus em nós.

O purificar da água nos remete ao novo nascimento como resultado da pregação. Havia muitos rituais vétero-testamentários de lavagem. A água é um símbolo do Espírito Santo e de seu agir no interior do ser. O amor de Jesus Cristo faz com que Seu sacrifício não seja apenas o ato de entregar-se na Cruz, mas de enviar Seu Espírito para agir e atuar no nosso ser para uma purificação dos sentimentos, emoções, história, hábitos…

Deus quer, em Cristo, nos dar assim uma relação leve com Ele. Como é agradável um banho para o corpo deve ser a santidade na mente e no coração. A lei do Senhor, em Cristo Jesus, se torna possível de ser cumprida, pois agora vemos que seu anseio era garantir relacionamentos profundos e não punir erros meramente. Por isso, Ele vem para cumprir a Lei e os Mandamentos. A Palavra lava e liberta como a água lava o corpo. É assim que Cristo nos leva do constrangimento do amor ao entendimento do amor!

E então vem a resposta plena: uma igreja sem ruga, sem mácula, sem mancha. A santidade bíblica e wesleyana é isso. Não apenas fazer a vontade de Deus, mas fazer de uma forma que agrade a Deus. Não cumprir os mandamentos, mas fazê-lo com o propósito de glorificar Seu nome. Abrir mão de nossos desejos e vontades, não como uma falsa entrega, mas por uma compreensão de que, se algo prejudica meu irmão e irmã, então eu posso viver sem aquilo. Não podemos jamais defender quaisquer posições ou posturas contrárias à vida. A santidade é resultado do amor de Cristo que nos constrange a manifestar Seu caráter, igualmente sacrificial e pronto a ser entregue a favor do outro, da outra.

Examinemos nossa vida à luz da força deste texto bíblico. Quando pensar em santidade, elimine meras práticas e foque nas suas motivações. Se não pode faltar o poder da virtude e a aparência da virtude, então é a virtude mesma que devemos buscar com mais empenho. E a maior de todas as virtudes é o amor. Ele está no início e no final de qualquer processo que queiramos viver no Corpo de Cristo. Santifiquemo-nos em amor!