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Conexão 3.16

Conexão 3.16

As boas novas e a nossa tarefa

Quando pensamos no Conexão 3.16 e chegamos a este nome, estávamos fazendo uma profunda revisão e atualização de um termo desgastado pelo uso. A palavra “religião”, hoje tão execrada, nada mais significa do que “religar” – religar o ser humano a Deus. Fora de seu contexto original e tomada por todo o espírito neoliberal que afeta nossa percepção sobre qualquer valor da tradição, do rito, da doutrina, das instituições, a palavra “religião” e com ela o “cristianismo” acabam sendo abandonados e até rejeitados mesmo por pessoas que afirmam ter fé. Para mim, como parte da minha tarefa, o resgate do valor do comunitário, da igreja, do propósito e também do lugar da nossa denominação no corpo de Cristo é fundamental. Somos metodistas que servem ao Reino de Deus. Nossa identidade perpassa esses espaços. Somos herdeiros e herdeiras de uma trajetória de muitos homens e mulheres que seguiram os irmãos Wesley numa senda de santidade relacional e busca por Deus intensa.

Então, a palavra “Conectar”, dada sua contemporaneidade, resgata de algum modo sentidos perdidos. Somos convidados e convidadas a nos reconectar com Deus e a conectar pessoas com Deus. O bom do termo Conexão é que neste contexto contemporâneo, a ligação é direta, via wireless! Isto é, muitas coisas que antes eram aparentes e requeridas, como fios visíveis, agora não importam. Em todo o tempo e lugar somos chamados e chamadas a viver o Reino de Deus. Podemos estar automaticamente conectados neste propósito. Mas a senha continua sendo a mesma: sem jejum, oração, consagração pessoal, vida na Palavra, nada do que fizermos resultará naquilo que é a vontade divina, que todos e todas venham a ser salvos!

Por isso, aparece aí o 3.16: é a referência ao versículo-chave que resume o Evangelho. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Sua conexão com Deus não é para seu próprio benefício, mas para a unidade do corpo de Cristo em torno de um projeto de vida, e vida eterna. Um projeto que acontece porque Deus tomou a iniciativa do amor, da entrega. Como Deus entregou seu único filho e como Jesus assumiu isso, entregando-se ele mesmo também, nosso desafio maior é o da entrega. É hora de abrir mão de qualquer projeto pessoal para dar as mãos em torno de alvos comuns. Nossa Região precisa de cada campo, de cada congregação, de cada igreja local, de cada pastor e pastora, de cada membro do corpo. Ninguém é dispensável, todos e todas são convocados por Deus a uma tarefa salvífica.

Qualquer coisa que você fizer, faça como para o Senhor, ensina o apóstolo. Foi maravilhoso ir até Cocalzinho, ouvir as ministrações, conhecer pessoas, receber o impacto de um desafio. Mas 2019 vai exigir de nós mais ainda: agora é hora de sair de nossos lugares comuns para um projeto coletivo. Em todas as igrejas, implantar o Conecta. Treinar pastores e pastoras, líderes de células. Mobilizar nossas programações para privilegiar a formação do corpo de Cristo para este serviço. Antes de tudo, porém, dobremos nossos joelhos agora mesmo. Clamemos a Deus por este amor “de tal maneira” com que ele amou o mundo. Precisamos amar como Ele amou: com inclusão, com despojamento, com coragem, com ousadia, com entrega. Pagando mesmo o preço do amor. E o amor é exigente. No pastoreio (que não é uma tarefa só de pastores e pastoras, mas no discipulado significa o cuidado mútuo), eu lembro Karl Barth. Alguém lhe perguntou o que era necessário para ser pastor hoje (era 1962). Sua resposta foi: “- Ah, que pergunta! É a grande pergunta da própria teologia… você está disposto a lidar com a humanidade, tal qual é? A humanidade neste século [XXI] com todas as suas paixões, sofrimentos, erros, etc.? Você gosta dessas pessoas? Não só os bons cristãos, mas gostas de todas as pessoas tais como são? As pessoas com as suas fraquezas? Você gosta? As ama? Estás disposto a partilhar a mensagem de que Deus não está contra elas, mas para elas? Essa é a única realidade no serviço pastoral, e essa é a pergunta para você”.

Só o amor vai fazer a gente vencer os enormes desafios que estão diante de nós. Não existe amor na solidão, mas na Conexão. Quando a gente se une em torno do chamado de Deus, então, tudo se nos torna possível, não porque é fácil, mas porque o amor de Deus nos dá forças para conseguir. E nosso objetivo não mudou: “é espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. É fazer parte desse grupo de gente interessada em conectar gente com gente, em conectar gente com Deus!

 

 

Só o amor vai fazer a gente vencer os enormes desafios que estão diante de nós. Não existe amor na solidão, mas na Conexão.